O Congresso promulgou nesta terça-feira (12) a
Emenda Constitucional 103, de 2019, que altera o sistema de Previdência Social
e estabelece regras de transição e disposições transitórias. Apresentada pelo
governo em fevereiro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 tramitou
por seis meses na Câmara e quase três no Senado. O objetivo da medida, segundo
o Executivo, é reduzir o déficit nas contas da Previdência Social. A estimativa
de economia é de cerca de R$ 800 bilhões em 10 anos.
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre,
classificou o dia como histórico e considerou a reforma da Previdência como uma
das mais importantes alterações feitas na Carta Magna, em seus 31 anos de
existência. Ele destacou o esforço coletivo dos parlamentares para aprovação da
matéria ainda em 2019 e explicou que o Senado, como Casa da Federação, tinha o
dever de acelerar a tramitação da proposta, a fim de promover ajustes nas
contas da União, dos estados e municípios. Davi adiantou que a atenção, agora,
deve se voltar à PEC Paralela (PEC 133/2019) e às demais reformas propostas
pelo Poder Executivo.
— Temos consciência do tamanho da nossa
responsabilidade. O Senado e a Câmara estão construindo um caminho para unirmos
as forças do Parlamento, com a participação do governo federal, para
realizarmos também uma reforma tributária em que o grande beneficiado será o
povo brasileiro — declarou.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que o
Congresso concluiu um ciclo importante a respeito de um tema decisivo para o
futuro do país. Ele ponderou que a Emenda Constitucional 103, aliada a outras
reformas, como a tributária, reduz desigualdades ao taxar mais quem ganha mais.
Maia disse que o Parlamento precisa ter coragem para enfrentar esses temas,
porque o país não pode continuar a crescer com base no atendimento a interesses
particulares.
—Todos nós precisamos entender que a reforma da
Previdência é a primeira de várias neste objetivo. A política é a solução dos
nossos problemas, e é aqui, nesta Casa, que nós vamos construir todas as
soluções, de forma transparente, com diálogo, mas, acima de tudo, respeitando a
nossa Constituição, reformando-a onde podemos reformá-la, respeitando-a e
protegendo-a. Este é o nosso papel, se queremos viver numa democracia forte.
Foram preparados cinco exemplares da Emenda,
destinados ao Senado, à Câmara, ao Supremo Tribunal Federal, à Presidência da
República e ao Arquivo Nacional. O relator da matéria na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ), senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), destacou a
importância da medida. Ele classificou o tema como um dos mais difíceis, embora
fundamentais para nortear os caminhos do país. Tasso elogiou o grupo do governo
que deu apoio à elaboração do relatório, as assessorias do Senado e da Câmara,
bem como os funcionários do seu gabinete e a presidente da CCJ, senadora Simone
Tebet (MDB-MS).
— É muito difícil fazer um texto em que se
equilibre a consciência social, tão forte neste Congresso, com a preocupação
com as populações mais vulneráveis e, ao mesmo tempo, ter em mente a
importância do equilíbrio fiscal. Mas nós conseguimos fazer isso, tenho
convicção.
O deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da
proposta na comissão especial da Câmara, disse que a Emenda Constitucional 103
contribui para a justiça social e corrige injustiças, “na medida em que 62% dos
aposentados ganham até um salário mínimo e, 85% dos aposentados, ganham até
dois salários mínimos”.
— Todos os brasileiros, especialmente estes,
precisam de um sistema de Previdência forte, seguro e justo — declarou.
O líder do governo, senador Fernando Bezerra
Coelho (MDB-PE), destacou a iniciativa de Jair Bolsonaro, a atuação do ministro
da Economia, Paulo Guedes, e disse que a promulgação da Emenda 103 só foi
possível graças à coordenação política dos presidentes do Senado e da Câmara.
Fernando Bezerra Coelho mencionou a articulação de Rodrigo Maia junto aos mais
de 30 partidos, “para apreciar uma reforma tão complexa e tão difícil”. Ele
elogiou o trabalho de Davi Alcolumbre para o andamento da matéria, “numa Casa
também marcada pela pluralidade”.
— Quero registrar aqui a participação dos
relatores, que puderam dar o toque do equilíbrio entre responsabilidade fiscal
e seguridade social, mantendo as conquistas vivas da Constituição de 1988, mas
atendendo aos reclamos de uma economia pressionada pelos indicadores
demográficos, por um deficit crescente da Previdência e pelo crescimento veloz
da dívida pública nacional. Hoje, aqui, nós o coroamos com a promulgação desse
instrumento, que, com certeza, marca um novo momento na história do nosso país.
O líder do MDB, senador Eduardo Braga (AM), disse
que o sacrifício exigido de todos os brasileiros com a reforma tem o mérito de
evitar o colapso fiscal da Previdência, garantindo um sistema mais sustentável.
Segundo ele, a expressão-chave que norteou o trabalho do Congresso foi a
responsabilidade com o Brasil e os brasileiros.
— Responsabilidade não apenas com as contas
públicas, mas acima de tudo, com o justo direito de futuras gerações a todos os
benefícios previdenciários.
O senador Roberto Rocha (PSDB-MA) reconheceu o
empenho dos presidentes do Senado e da Câmara, bem como dos líderes
partidários, para a promulgação da Emenda. Segundo ele, além de promover
justiça, a medida vai garantir a sustentabilidade fiscal da Previdência Social.
No entanto, Rocha ponderou que não é apenas a reforma previdenciária que vai
resolver os problemas do país.
—É, mais ou menos, como se ela tivesse uma função
de estancar uma sangria, com um foco um pouco mais nas despesas, pisando no freio.
Claro que isso, por si só, não basta: é preciso um tratamento para o paciente,
e aí, vêm outras reformas, como por exemplo, a tributária. Esta, sim, foca na
receita; essa, sim, promove justiça social.
Mudanças
A Emenda Constitucional 103 institui novas alíquotas de contribuição para a Previdência, além da exigência de idade mínima para que homens e mulheres se aposentem. As novas regras entram em vigor imediatamente, exceto para alguns pontos específicos, que valerão a partir de 1º de março de 2020. É o caso, por exemplo, das novas alíquotas de contribuição que começarão a ser aplicadas sobre o salário de março, que em geral é pago em abril. Veja aqui as principais mudanças.
Fonte: Agência Senado